Continuação da minissérie “Meu nariz, minha vida”. Capítulo de hoje: conversas com médicos.
Dr. Jekyll and Mr. Hide: — Você tosse?
Srta. Fanha: — Agora não.
Dr. Jekyll and Mr. Hide: — Perguntei se você tosse.
Srta. Fanha: — Quando estou com dor de garganta sim.
Dr. Jekyll and Mr. Hide: — Você já tossiu alguma vez na vida?
Srta. Fanha: — Já!
Dr. Jekyll and Mr. Hide: — Então você tosse!
Srta. Fanha: — Dr., o senhor nunca comeu bala soft, bolacha sem água ou jogou um punhado de farofa na boca?
Dr. Jekyll and Mr. Hide: — humpf… (grunhidos).
Dr. Patcha Adams: — E então, como você é?
Srta. Fanha: — No momento uma pessoa que não respira, não tem olfato e não ouve direito.
Dr. Patcha Adams: — Sim, mas qual é a sua visão do mundo e do cosmo?
Srta. Fanha: — No momento eu sonho que o cosmo é um grande descongestionante nasal.
Dr. Patcha Adams: — Você precisa parar de tomar leite, acumula muco. Vou passar três soluções manipuladas e você vai comprar esse acaricida. Vai realizar uma respiração polarizada ao acordar e antes de dormir, vai se alimentar bem, fazer exercícios e meditação ao menos meia hora por dia.
Srta. Fanha: — E minha vida vai mudar?
Dr. Patcha Adams: — Se ela mudará isso só você terá o poder de realizar.
Srta. Fanha: — Uhhh (Yoda…).
Dr. Patcha Adams: — Agora me diga onde você comprou esse cachecol divino!
Hebe completa 79 anos. Gente, olha que gracinha, a Hebe fez niver! Sim, você deve estar surpreso. A minha avó tem 88 anos e conta que ouvia a Hebe no rádio quando era jovem. E a cada dia que passa ela e a Glória Maria parecem saídas da mesma campanha united collors of benetton.
Ingresso do Dia: Na Natureza Selvagem. Na primeira cena em que conhecemos Alex Supertramp alguém pode exclamar: “Óia, ele parece fio do Wolverine”, e como o pretenso pai, ele tem certa aversão à sociedade. Tornar-se andarilho, abandonar família, dinheiro, carreira, viver sem lenço e sem documento, tudo em prol da liberdade e do desejo de viver, é isso que Christopher sonha quando decide ir “into the wild”. E o filme de Sean Penn nos mostra essa jornada espiritual em busca da felicidade — que parece estar no Alasca — de um modo tão adulto e corajoso que é impossível não lembrar dos sonhos que tinha aos 18 anos. Alex encontrou suas respostas, eu ainda busco as minhas, mas sua história, cheia de lindas paisagens, encontros cheios de humanidade e frases maravilhosas no roteiro me ajudou a compreender o que é aquele vazio inexplicável que meu coração sente às vezes. E quer mais um motivo? A trilha sonora foi feita por Eddie Super Sexy Vedder, vocalista do Pearl Jam. Eu juro que atenderia todas as ligações do telemarketing super feliz, se todos os atendentes tivessem a voz do Vedder ou do Arnaldo Antunes.
O pum da cultura. Para finalizar esse post enorme um momento de escatologia, no caderno Mais! Moacyr Scliar faz uma divertida análise do pum na literatura mundial, instigado pelo fato de que a justiça do trabalho declarou essa semana que pum não dá demissão por justa causa. Quem quiser ler o texto completo e não tiver acesso à Folha, pede que mando por e-mail, aí vai um trechinho:
De Dante a Beckett, de Aristófanes a “Quem Comeu Meu Queijo?”, flatulência registra a história do corpo na literatura e nos costumes. Em “Molloy” [ed. Globo], de Samuel Backett, há uma certa condescendência para com os gases: “Trezentos e quinze peidos em 19 horas, uma média de 16 peidos por hora. Não é demais. Quatro peidos a cada 15 minutos. É nada”. A mesma tolerância mostrou o imperador romano Claudius, que assinou lei permitindo a emissão de gases em banquetes, mas fê-lo movido por supostas razões de saúde: acreditava-se à época que reter os gases era prejudicial para o organismo.
De maneira geral, soltar um flato era falta grave. Edward de Vere, duque de Oxford, teve o azar de fazê-lo (coisa que Freud explicaria) no exato momento em que prestava juramento de lealdade à depois cinematográfica rainha Elizabeth 1ª Tão envergonhado ficou que se impôs um exílio de sete anos. Quando de seu retorno à corte, Elizabeth teria dito, para consolá-lo: “Meu senhor, para dizer a verdade, já esqueci aquele flato”. (O pum da cultura, texto de Moacyr Scliar. Publicado no caderno Mais! Do jornal Folha de São Paulo em 09/03/2008).



6 respostas so far ↓
dehdemari // 10/03/2008 às 4:39 pm
Quero envelhecer como a hebe…
A cada 5 anos aumento 1..rs
bjos
Evilasio // 10/03/2008 às 5:21 pm
Essa saga dos médicos, boa mesmo. E eu tbem queria saber a receita da Hebe. A coroa ainda tá é bonitona… Impressionante.
Jungle Boy // 11/03/2008 às 9:23 am
Bia, como assim você não colocou o João Brasil nesse post? Tô sinistrão! hahaha
Leticia // 11/03/2008 às 1:14 pm
além de não tomar leite, tu deve tomar muuuita água… sei q tu deve tá de saco cheio de ouvir esses conselhos, hehehehehe, mas pra mim, a água sempre funciona…
bjus!
Cherry // 11/03/2008 às 10:26 pm
Adorei o Dr. Adams. Transcedental…
E acho tão bacana esse pessoal que escreve sobre o trivial de forma tão séria!
Melhoras aí, srta.
Beijos!!
Carol // 16/03/2008 às 12:16 pm
Há quantos anos a Hebe tem 79 anos?
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