Groselha News

Meme da dor de cotovelo.

17/05/2008 · 3 Comments

Uma das coisas mais legais do twitter foi ter conhecido a @cler e o Hit na Rede. Lá descobri que rola um meme “Top 5 - Fossa Songs”. E confesso, adoro uma fossa music, adoro cantar “um fio de cabelo no meu paletóóóó”. Daí resolvi participar do meu primeiro meme, porque descobri que tenho vocação para miguxa. Athos colocou em 5º a clássica ‘Total eclipse of the heart’. Cler indicou uma do Bon Jovi, que tem clássicos como ‘You give love a bad name’. E a Gisele lembrou da matadora ‘Nothing compares to you’. Fiz um top 10 das minhas preferidas, comentando apenas as 5 primeiras.

#5. A mulher de malandro: Alcione com ‘Você me vira a cabeça’.

A Marrom adora um homem cachorro, que dá trabalho, daquele tipo que não pode dar mole senão ele créu. Mas essa tem um tom dramático desde o primeiro acorde, um coro de vozes femininas repetindo os questionamentos e um grito no meio: “por quê êêê?”. O tempo todo essa mulher se pergunta por que o amado não vai embora, por que não a liberta, pois ela já não tem forças para largá-lo. E a história tem continuação em várias outras músicas como ‘Meu vício é você’. É ou não é a Dor da Marron?

Melhor momento copo de conhaque na mão: “Você não me quer de verdade. No fundo eu sou tua vaidade. Eu vivo seguindo teus passos. Eu sempre estou presa em teus laços. É só você chamar que eu vou…”

#4. Amor de pica: Elza Soares com ‘Espumas ao vento’.

Quem assistiu Lisbela & o Prisioneiro sabe que um dos momentos mais marcantes ocorre quando essa música é tocada. A voz chorosa de Elza, o clima tenso criado pelos acordes apressados, tudo prenuncia aquelas paixões insanas, levadas pela dança na ponta da faca. Tirando sangue e alma dos dois lados. Não se pode aceitar a morte de um grande amor, não se pode esquecer do fogo que os unia, do desejo que sempre esteve presente.

Melhor momento olha a faca!: “Sei que errei tô aqui pra te pedir perdão. Cabeça doida, coração na mão. Desejo pegando fogo. E sem saber direito a hora e o que fazer. Eu não encontro uma palavra para te dizer. Ah! Se eu fosse você eu voltava pra mim de novo.”

#3. A vingativa: Maria Bethânia com ‘Lágrima’.

Contardo Calligaris disse em sua coluna do dia 17/04/08, intitulada “O Trauma do amor’, que “mesmo quando a iniciativa da separação foi da própria mulher (ou compartilhada por ela) e não houve infidelidade do lado do homem, as mulheres tendem a viver a separação como uma traição, como uma crueldade que lhes foi feita, uma sacanagem.” E exigem uma reparação. Quando Maria Bethânia canta os versos dessa música resume todo ódio que alguém pode sentir no fim de um amor, o desejo amargo de ver o outro sofrer, como se isso pudesse trazer alívio para a dor que ainda lateja.

Melhor momento SERASA/SPC: “Cada vez que no meu coração morrer uma ilusão, hás de me pagar. Toda festa que adiei, tesouros que entreguei, a imensidão do mar. As noites que encarei sem Deus, na cruz do teu adeus, hei de te cobrar… Lágrima por lágrima.”

#2. A Diva Dona de Casa: Sade com ‘King of Sorrow’.

Sade é uma cantora de voz extremamente sexy, nunca encontrei ninguém que tivesse voz parecida. Nessa música ela mostra todo o drama de quem ama, mas sabe que o fim está próximo. Cada dia é mais um dia tentando, adiando a vida, gastando as últimas moedas de esperança. Enquanto vive uma vida falsa, sem significados, cheia de descontentamento, ela reina por todo seu sofrimento.

Melhor momento lava roupa todo dia: “I’m crying everyone’s tears. I have already paid for all my future sins. There’s nothing or anyone can say to take this away. It’s just another day and nothing’s any good…”

#1. Chafurdando na lama: Tim Maia com ‘Me dê motivo’.

Tim sempre me arrasou com essa música. Foram poucas as vezes em que a ouvi sem meus olhos marejarem. Ele começa recitando como a vida dá voltas, como sonhos se desfazem, na linha daquele ditado popular que diz que o amor é como capim, você planta, cuida e aí vem uma vaca e fode com tudo. Então a música baixa um pouco e ele começa a cantar, com o coração na mão, uma versão ‘I will survive’ bem macho. O cara da música pode até ser corno, mas sabe sofrer como poucos.

Melhor momento pau no cú do amor: “Me dê motivo, foi jogo sujo e agora eu fujo pra não sofrer. Fui teu amigo, te dei o mundo, você foi fundo quis me perder. Agora é tarde, não tem mais jeito, o teu defeito não tem perdão. Eu vou à luta, que a vida é curta. Não vale a pena sofrer em vão”.

@ O Top 10 fica completo com:

#6. Amor bumerangue: Cranberries - ‘Linger’.

#7. Corno manso: Fagner - ‘Deslizes’.

#8. Unidunitê: Chitãozinho e Xororó - ‘Evidências’.

#9. Xô Satanás: The Smiths - ‘I’m so sorry’.

#10. Vou pegar geral: Mula Manca & Fabulosa Figura - ‘Animal’.

# Sobre blogs e iniciativas. Algumas pessoas comentaram e mandaram e-mails dizendo que ficaram empolgadas em fazer trabalho voluntário depois de lerem meu post para o Blogueiro Repórter. Meu start aconteceu por causa de um post do dia 05/02/06 no antigo blog do b.m. Cheguei a trocar e-mails, mas percebi que não conseguiria fazer nada concreto pela Fábrica da Criatividade, então decidi que era hora de fazer algo por aqui mesmo. Essa é uma das razões pela qual blogo e assino mais de 100 feeds. Pela possibilidade de me surpreender, de parar para pensar e de socializar online e offline.

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Trabalho voluntário e educação.

12/05/2008 · 7 Comments

Há dois anos, aproximadamente, realizo trabalhos voluntários na área de educação. Durante desse tempo foi possível conhecer o trabalho de várias pessoas e instituições. Para participar do Blogueiro Repórter, decidi conversar com outros voluntários e, com alunos de um curso de alfabetização, sobre relações existentes entre trabalho, educação, sociedade e vida. É possível encontrar todos os posts participantes do Blogueiro Repórter pelo diHITT.

Aparecida Martins é coordenadora pedagógica voluntária na Casa de Ismael, uma instituição sem fins lucrativos, com a missão de abrigar e assistir crianças e adolescentes órfãos, abandonados e/ou com lares temporariamente desajustados, de 2 a 18 anos de idade, bem como amparar e orientar as respectivas famílias que estejam em estado de pobreza e desestruturação agudas. O projeto educacional consiste em manter aulas de reforço e apoio educacional no período contrário ao da escola que freqüentam. O projeto também é aberto a pessoas da comunidade. Como muitas pessoas, Aparecida decidiu trabalhar voluntariamente depois de se aposentar. Conversamos sobre as atividades realizadas na Casa de Ismael e as relações entre trabalho voluntário e sociedade.

Dentro de uma sala de aula existem os alunos e os professores, mas também estão presentes, de forma indireta, as pessoas que influenciam as crianças, os pais, a família. A sociedade está presente na sala de aula, por meio da cultura e da vida, porém a maioria das pessoas não se sente responsável pela educação pública brasileira e nem mesmo pelas crianças. O governo é responsável, claro. Mas há tanto que pode ser feito hoje, é tão importante para o ser humano conhecer as pessoas do seu bairro, a escola ainda tem esse poder de agregação, mas ele é extremamente subutilizado.”

Atualmente, o MEC junto com o FNDE possui um programa especial chamado Escola Aberta. As escolas cadastradas são abertas nos fins de semana e realizam-se oficinas, aulas de dança, esportes e outras atividades, visando atrair a comunidade e agrega-la ao espaço escolar como uma opção de lazer e sociabilidade. Aparecida concorda comigo que isso é uma ótima iniciativa, mas ainda é pouco perto da influência que a sociedade exerce sobre o indivíduo.

“As relações sociais auxiliam no processo educativo dos alunos. E, dependendo do contexto social da escola, essas relações são facilitadas ou não. Questões como a violência, a incivilidade, fatores econômicos, comunidades religiosas e até política são alguns dos elementos que afetam o desenvolvimento de um processo pedagógico. Por que o aluno estaria excluído dessas influências? O aluno deve ser visto como um todo. Quando ele chega à escola traz consigo não só o material escolar como também informações, impressões e experiências que recebeu durante sua vida. A sociedade também não pode se excluir do processo de formação dos cidadãos”.

Sueli Carvalho e Dina Albuquerque são voluntárias cadastradas no Centro de Voluntariado do Distrito Federal. Há cerca de um ano, após o término de um curso técnico de alfabetização, viram-se diante do desafio de montar uma turma e começar a lecionar. Sueli sempre gostou de ser professora e afirma que o trabalho voluntário precisa ser encarado realmente como um trabalho.

“Fazer trabalho voluntário significa um comprometimento com o coração. É um dever estar ali, pois outras pessoas dependem de você e não há ninguém para te substituir”.

Na turma há 15 alunos e a aulas ocorrem duas vezes por semana à noite. Poucos alunos moram perto, a maioria vem do trabalho. Converso com eles sobre seus sonhos, dúvidas e anseios. Margarida, 47 anos, conta que sempre teve muita vergonha de não saber ler e escrever, mas que ao chegar ali e ver outras pessoas com a mesma dificuldade decidiu tentar. Todos têm longas histórias de vida, razões pelas quais não freqüentaram a escola no período correto, mas também têm vários sonhos como comprar a casa própria, escrever cartas para familiares, copiar poesias, fazer uma faculdade, terminar um curso técnico, ajudar os filhos nas tarefas escolares, viajar sem medo. Pergunto a Bernardo, 61 anos, o que significa para ele participar desse grupo.

“Realmente dependo dessas professoras, mas acredito que aconteçam trocas de vida entre todos nós. A cada aula sabemos um pouco mais sobre português e matemática, mas também sei um pouco da professora, dos colegas e eles sabem mais de mim. Essa troca, essa amizade é muito importante para se aprender sobre a vida e sobre como aprender a ler e escrever muda a vida de todos nós, tanto de quem sabe como de quem não sabe.”

Trabalhei durante um ano na Casa de Ismael e atualmente auxilio Sueli e Dina nas atividades da turma de alfabetização, pois em julho, Sueli se mudará para São Paulo e ficarei em seu lugar. Há várias maneiras de trabalhar voluntariamente e há infinitas formas de ajudar todas as formas de vida do universo. Escolher uma ou várias depende de cada pessoa, mas trabalho voluntário é um compromisso não somente do indivíduo consigo mesmo, mas também com a sociedade.

“Quanto mais me capacito como profissional, quanto mais sistematizo minhas experiências, quanto mais me utilizo do patrimônio cultural, que é patrimônio de todos e ao qual todos devem servir, mais aumenta minha responsabilidade com os homens”. (Paulo Freire no livro Educação & Mudança).

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Editorial: ora, bolas.

01/05/2008 · 25 Comments

# “Ele pode comprar até a minha mãe”. Andréia Albertine, a travesti do Ronaldo.

A vida, às vezes, nos arregaça as pregas. Tirei uma semana de folga do mundo, coloquei a vida em dia e quando volto, pimba! Um dos melhores escândalos de todos os tempos: Ronaldinho, pó e travecos. Uma versão madeinBrazil, produzida pela Brasileirinhas, para o sex scandal do Hugh Grant. Então vamos à reconstituição dos fatos:

Era uma vez Ronaldo Fenômeno, jogador semi-aposentado, que marcou “curioso” quando o Orkut lhe perguntou quais eram suas preferências sexuais. Numa madrugada solitária, Ronaldo saiu de uma balada na casa da Vovozinha. Porém, queria mais. Ele podia ter alugado a garota de programa mais cara do RJ, mas para quê? Bom mesmo é ficar escolhendo no calçadão, olhando a vista ao som de Sensual Seduction. Como havia feito ingestão de bebidas alcoólicas, decidiu não correr riscos e pegou o primeiro cara de peruca que encontrou. O travesti disse que seu nome era Andréia Albertine e que gostava de plataformas de cristal acrílico. Enquanto conversavam sobre sua infância, Andréia chamou mais duas amigas para participarem da brincadeira. Ronaldo adorou e pagou tudo adiantado, mas no fim, como não rolou o saci com giratória, Andréia achou que era pouco. Agora, Ronaldo, que podia ter terminado a carreira como cover do Lionel Richie, vai ficar conhecido como aquele jogador que tomou um boa-noite-Cinderela de três travecos. A namorada já o abandonou. A Cicarelli está beijando o Raul Gil. O Cabrini foi solto graças à auto-ajuda. A Hebe está dormindo com uma galinha. E o Sérgio Mallandro está animando formaturas. Com quem Ronaldo quer competir?

“Daí, quando ele cheirou, começou a viajar. Dizia: “Pelo amor de Deus, vocês não vão aprontar pra cima de mim, não”. Eu falei: “Bebê, se você semear amor, vai colher amor. Agora, se você aprontar com a gente, a gente vai aprontar com você”. Andréia Albertine, filosofando sobre a pessoa humana de Ronaldo.

# Srta. Bia’s Facts: Em sua vida passada, Srta. Bia foi uma drag queen paraense chamada Walleska Kaionara. Porque ela acha que a vida precisa de muita cafonice e glitter, sempre que possível.

# Vamos Twittar ô-ô-ô… Me rendi ao brinquedinho. E nem foi por causa dos textos do Inagaki, do Seu Paulo, do Ian ou do Edney, mas porque durante um encontro do Blogs DF me senti uma excluída digital e desisti da minha resistência farroupilha. Então, se você tiver interesse em saber qual é a minha música do dia, ou quiser acompanhar, em primeira mão, as notícias trashs e fofoquentas que fazem minha alegria matinal, siga-me.

# Frase da semana: “Enfia uma dentadura no cú e você vai rir bem mais.” Ouvida numa peça de teatro, que não lembro o nome.

# Bilhete do dia: O Homem de Ferro. A espera foi grande, o Ozzy me acordou por uma semana… O filme é ótimo! Robert Downey Jr. para o Oscar, Tony Stark é o Homem de Ferro! A trilha tem Black Sabbath (óbvio), AC/DC, Filter e outros. Piadinhas para quebrar o clima, um herói carismático e um vilão ganancioso. Fique até o fim dos créditos, tem uma surpresa bem legal com pistas para o segundo filme! E logo, logo Downey Jr. vai estar no topo de uma lista dos mais sexys. Cotação: R$18,00.

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Editorial: jaborandi.

19/04/2008 · 28 Comments

# 27 anos. Hilda Hilst fazia aniversário no dia 21 de abril. Certa vez afirmou que você nunca conhece realmente as pessoas. Referia-se às peculiaridades de cada um, mas é possível que também acreditasse numa teoria holística de que a cada 7 anos fecham-se ciclos em nossas vidas. O universo, o destino, Deus ou a conta bancária provocam mudanças, novas formas de sentir e novos olhares a cada 7 anos. Acredito nisso. Passei a crer não tem nem 3 meses, talvez seja apenas uma self-esperança-fajuta. Hilda também disse que é preciso resgatar a alma do ser humano. Estou deixando de procurar razões, abandonando justificativas, repensando hábitos e costumes, porém, continuo buscando o amor em todas as suas formas e expressões. Nada pode ir além do âmbito da própria vida e nada permanece inalterado. Não há porque querer todas as respostas quando naturalmente termino a maioria dos meus dias sorrindo, amando, querendo mais. E, tendo como um de meus orgulhos, o fato de fazer aniversário no mesmo dia de Hilda Hilst.

# Minha ode às panelinhas. Está faltando senso de humor no cortiço dos blogs. Voltaram as gritarias inúteis sobre panelinhas. A Feed-se é, as Mixed Tapes do Ian também são, e daí? Amigos formam grupos e gostam de fazer coisas juntos. Simples, não? É fácil perceber porque as pessoas que esbravejam não estão nas panelinhas, porque são chatas. E ninguém merece gente chata! Então, vamos pedir piedade. Senhor, piedade. Pra essa gente careta e covarde. Todos temos grupos de amigos queridíssimos. Fazemos parte de panelinhas porque sabemos que amigos comem brigadeiro quente na panela juntos. Estamos falando de amizade, de projetos em comum, de sintonia e não de democracia. Quem está na panelinha do Az tem companhia para baladas super dançantes. Quem está na panelinha do Lipe ganha os presentes “faça você mesmo” mais legais do mundo. Quem está na panelinha do descobre pelo menos 10 músicas por semana. Quem está na panelinha da Kash e da Lu sabe que é possível fazer amigas incríveis no trabalho. Faço parte de várias panelinhas e acho super saudável me juntar com amigos para jantar, discutir, abrir uma revista ou ouvir músicas juntos. Quem quiser vai, quem não quer não lê. Quem está fora da panelinha pode chegar pelas beiradas, sugerir novas idéias, ou ficar feliz ao ver um grupo de amigos se divertindo. Só não sejamos chatos e reclamões de alma bem pequena. Make love, not war!

# Bilhete do dia: Um beijo roubado. Wong Kar-Wai é um dos meus diretores preferidos. E sua estréia no cinemão hollywoodiano traz novidades a seu trabalho, porém não parecem novidades aos olhos de quem está acostumado com o cinema americano. O amor ainda é o tema central e as cores estão lá, mas as relações e reações dos personagens estão extremamente familiares. Temos Norah Jones muito graciosa em seu primeiro papel no cinema, um Jude Law charmosíssimo, uma Natalie Portman curta e uma Rachel Weisz mimada. Achei que o papel de Rachel seria bem melhor, mas a graça do filme está mesmo em Norah e Jude, e nas cenas em que o sorvete invade a torta de blueberry. É uma história sobre traumas amorosos, que demonstra a necessidade da fuga e a importância de deixar portas abertas. Meu tipo de filme preferido, ainda mais com Cat Power e Cassandra Wilson ao fundo. Cotação: R$ 12,00.

# Não quero ter razão. “Numa de minhas intervenções, na Flip, em Paraty (RJ), em agosto passado, afirmei que uma das piores coisas do mundo é querer ter razão. Referia-me, implicitamente, à guerra entre judeus e palestinos, mas exemplifiquei com as brigas de casais. O cara insiste em ter razão, discute com a mulher, ela contra-argumenta, os dois se exaltam e daqui a pouco estão amuados, cada um no seu canto. Cheios de razão, mas infelizes. “Não quero ter razão”, disse eu, “quero ser feliz”. Mais tarde, durante a sessão de autógrafos, as pessoas repetiam a minha frase e pediam que eu escrevesse no livro. Um rapaz falou-me: “Vou agora mesmo telefonar para minha namorada e dizer a ela que me desculpe, que eu não tinha razão na discussão”. À noite, no restaurante, várias pessoas vieram falar comigo sobre a frase e outros gritavam de longe: “Não quero ter razão”. Mas isso não é razão para me classificar de frasista. Se bem entendo, frasista deve ser aquele sujeito que fica bolando frases de efeito. Não é o meu caso. Essa frase, por exemplo, que tocou tanta gente, não a tinha pensado antes, saiu no momento. A verdade é que há muito reflito sobre a insistência das pessoas em terem razão, ainda quando se trate de um assunto sem importância.” (Frases de vidro. Texto de Ferreira Gullar. Publicado na Folha de São Paulo no dia 13/04/2008).

→ 28 CommentsCategories: Marie Claire
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